Jornalista é preso por crimes sobre os quais escrevia na Macedônia in Folha Online
não são muitas as notícias que me encaminham à divagação, no entanto encontrei-me nesse pathos ao ler esta nova.
o seu quase cinematográfico enredo - à memória gritam nomes como Zodiac ou Se7en - e contornos de excentricidade, levaram-me a questionar a origem do criminoso macedónio, ora um individuo de mente tão fértil e hollydowesca não podia ser sem um qualquer temperamento norte-americano, afinal essa gente (entenda-se psicopatas) só mora do outro lado do Atlântico.
diz quem sabe (digo eu) que a psicopatia nasceu de um pato, que não era pato na realidade, mas antes um mero fenómeno de adopção por uma família de patos, na realidade esse pato - feio ao que parece - era um cisne, uma raça de aves benquista pelos lagos mas malquista pela comunidade patal.
ora "o pato" residia algures no Lago Michigan, antes do aparecimento das descargas municipais, com a sua patética família, que não obstante a sua fealdade olhava para ele como um igual na tentativa de regenerar a sua condição social (um típico elephant man). era quase normal sentir-se embicado pelos demais patos da sociedade, não sabendo porém que um alter-ego se moldava com formas de vendetta... era o psico-pato.
a descoberta da psicopatia acabou por surgir após um encontro de contornos traumáticos para qualquer ave, "o pato", individuo conformado com o seu estatuto outcast, encontra por obra do acaso, num lugar recôndito do virgem lago, uns "patos" seus semelhantes, altivos e elegantes. mas "o pato" não via elegância, via deformidade, não via pureza mas antes conspurcação, e no seu peito de pato (sem laranja) apertava-se o sentimento de ultraje: a culpa era daqueles seres anómalos que o fizeram ser diferente da sua mãe, e num ápice o alter-ego até então bem alimentado pela inoperância psicológica dos patos doutos, suprime "o pato" e lança o psico-pato numa espiral de violência, terminada apenas com a chegada dos três patinhas. inúmeros cisnes foram mortos, sempre através do mesmo modus operandis, com um calculismo nunca visto por aquelas terras patéticas.
mais tarde, nas suas memórias, "o pato", nome de guerra "patinho feio", viria a descrever todas as suas patologias e até hoje fica para a história o nome da sua esposa querida, conhecida por uns como morte, para ele apenas psicopatia.
BellaMafia
terça-feira, junho 24, 2008
sexta-feira, maio 30, 2008
Crianças Especiais
hoje sentei-me a pensar no Portugal infante, pobre "casta" que padece de um mal recém-descoberto, o “aumento exponencial de docentes” da primária para o 1º ciclo.
ao que parece foi denunciado que os nossos descendentes menores vivem atormentados com esse “aumento exponencial de docentes” que os espera após a travessia da ponte para o 1º ciclo. é terrível, doloroso, anti pedagógico, um choque social, uma criança passar a ter vários formadores ao invés do prático uno que os acompanhou pela fase primária, no entanto, essa delação sofre de falta de continuidade, isto porque, as mesmas indefesas, imberbes e pueris imagens de uma sociedade menor conseguem resistir ás suas insuficiências e dotar-se com a capacidade de conviverem com artifícios como os telemóveis, computadores, consolas de jogos, entre outros gadgets, criados à consideração (a maior parte deles) de uma “casta” adulta.
não compreendo a incongruência. não compreendo a necessidade de continuar a criar subterfúgios e facilitismos para ocultar a inabilidade de resolver uma mentalidade ociosa, desmoralizada e acima de tudo descrente nas suas potencialidades.
a história da educação diz-me que existem décadas de discentes educados sobre a égide da regulamentação actual, hoje cidadãos formados.
no entanto a reforma da educação passa pela reformulação de um conceito já consolidado, de uma primeira etapa de crescimento… a sina portuguesa de inventar em vez de emendar.
a discência infantil é hoje, ao que parece, uma realidade atroz.
BellaMafia
ao que parece foi denunciado que os nossos descendentes menores vivem atormentados com esse “aumento exponencial de docentes” que os espera após a travessia da ponte para o 1º ciclo. é terrível, doloroso, anti pedagógico, um choque social, uma criança passar a ter vários formadores ao invés do prático uno que os acompanhou pela fase primária, no entanto, essa delação sofre de falta de continuidade, isto porque, as mesmas indefesas, imberbes e pueris imagens de uma sociedade menor conseguem resistir ás suas insuficiências e dotar-se com a capacidade de conviverem com artifícios como os telemóveis, computadores, consolas de jogos, entre outros gadgets, criados à consideração (a maior parte deles) de uma “casta” adulta.
não compreendo a incongruência. não compreendo a necessidade de continuar a criar subterfúgios e facilitismos para ocultar a inabilidade de resolver uma mentalidade ociosa, desmoralizada e acima de tudo descrente nas suas potencialidades.
a história da educação diz-me que existem décadas de discentes educados sobre a égide da regulamentação actual, hoje cidadãos formados.
no entanto a reforma da educação passa pela reformulação de um conceito já consolidado, de uma primeira etapa de crescimento… a sina portuguesa de inventar em vez de emendar.
a discência infantil é hoje, ao que parece, uma realidade atroz.
BellaMafia
segunda-feira, maio 19, 2008
Sonhar muçulmano
estava deitada, inerte naquele manto de alcatrão molhado, à minha volta uma multidão transtornada procurava fazer do meu amor "infiel" uma lição para qualquer mulher, que como eu, ousasse amar outra pessoa que não a prometida. estava deitada, prostrada à vergonha da minha cultura, ou à falta dela. nos rostos daqueles juízes sem tribuna estava vincado o horror, a repulsa por ver uma filha do islão conspurcada pela natureza humana.
eu sabia o que a vida me reservara, a pena do meu amor era
ódio, violência... e enfim a morte.
Não se demoraram os pontapés no ventre e as pedras no corpo, gestos carregados de infâmia acompanhados de palavras cuspidas de ignomínia profunda, já não era mais do que aquilo que o nascimento me destinara... um objecto.
Dançava, agora, pelo chão qual ignota de uma sociedade sem castas, a dor física já só existia num lugar remoto da minha consciência, os meus olhos, vigias do castigo imoral, fechavam-se a cada penitência até que a exaustão acabou por conduzi-los aos pés empoeirados de uma menina, uma imagem igual à minha, o semblante da ignorância de quem não sabe o que é e o que será.
a morte chegaria em breve, via-a nos olhos da criança e sentia-a no âmago. foi naquele instante de regresso ao tumulto que vi a pedra no meu encalço, a última mensagem criteriosa, a última imagem de um mundo que não me viu nascer e não me iria ver morrer.
em homenagem a todas as mulheres que perecem pela a mão dos verdadeiros infiéis.
com tristeza e vergonha,
BellaMafia
eu sabia o que a vida me reservara, a pena do meu amor era
ódio, violência... e enfim a morte.
Não se demoraram os pontapés no ventre e as pedras no corpo, gestos carregados de infâmia acompanhados de palavras cuspidas de ignomínia profunda, já não era mais do que aquilo que o nascimento me destinara... um objecto.
Dançava, agora, pelo chão qual ignota de uma sociedade sem castas, a dor física já só existia num lugar remoto da minha consciência, os meus olhos, vigias do castigo imoral, fechavam-se a cada penitência até que a exaustão acabou por conduzi-los aos pés empoeirados de uma menina, uma imagem igual à minha, o semblante da ignorância de quem não sabe o que é e o que será.
a morte chegaria em breve, via-a nos olhos da criança e sentia-a no âmago. foi naquele instante de regresso ao tumulto que vi a pedra no meu encalço, a última mensagem criteriosa, a última imagem de um mundo que não me viu nascer e não me iria ver morrer.
em homenagem a todas as mulheres que perecem pela a mão dos verdadeiros infiéis.
com tristeza e vergonha,
BellaMafia
segunda-feira, abril 21, 2008
Memoirs
observo pela janela do meu quarto um sonho, criado entre reflexos e efeitos de luz criados pela aurora, no horizonte está uma ponte, o último portal do rio antes de acabar a jornada no oceano. a foz está pintada em tons de laranja e rosa, qual quadro de Monet. pela primeira vez observo o meu rosto entre o coito de reflexos e luz, a imagem que me chega é a de uma criança de 12 anos, de franja e cabelo cortado a direito, um rosto pintado com a inocência da idade, sublinhada pelo olhar sonhador dos verdes anos. os lábios, de um vermelho apenas possível por contraponto à tez dramaticamente branca, cantam palavras arrepiantemente familiares... clamam estas, um canto a infindáveis viagens entre Miramar e a cidade do Porto: here comes Oporto, hello Arrábida Bridge, good morning Campo Alegre, i'm comin' in.
o rosto afasta-se da janela, como que se apercebendo da solidão residente na sala, nela moram apenas sombras projectadas pelo surreal pôr-do-sol sobre meia dúzia de cadeiras. a voz de José Rodrigues dos Santos escarnece o silêncio quase poético, com mais um telejornal das oito, a criança, aquela imagem de mim na bênção da ignorância dança agora com os olhos pela sala à procura de algo que nunca encontrará... companhia.
com a clareza de um qualquer fenómeno natural, os olhos param de dançar pela divisão e estreitam-se novamente no horizonte, o sol já mal revela a sua forma. a pequena figura de mulher eleva-se da cadeira e faz dela um par, o resultado daquele gesto quase maquinal é um pequeno leito, sobre ele e ao ritmo dos últimos minutos de luz, os olhos da inocência fecham-se, com a imagem da silhueta da senhora da Arrábida, a ponte dos sonhos.
fecho os olhos e sinto-os húmidos, um vestígio desse sentimento escorre pela cútis, na janela do meu quarto já só está o meu reflexo e a saudade de ser criança, de ser inocente.
nasce um dia, morre um sonho.
BellaMafia
o rosto afasta-se da janela, como que se apercebendo da solidão residente na sala, nela moram apenas sombras projectadas pelo surreal pôr-do-sol sobre meia dúzia de cadeiras. a voz de José Rodrigues dos Santos escarnece o silêncio quase poético, com mais um telejornal das oito, a criança, aquela imagem de mim na bênção da ignorância dança agora com os olhos pela sala à procura de algo que nunca encontrará... companhia.
com a clareza de um qualquer fenómeno natural, os olhos param de dançar pela divisão e estreitam-se novamente no horizonte, o sol já mal revela a sua forma. a pequena figura de mulher eleva-se da cadeira e faz dela um par, o resultado daquele gesto quase maquinal é um pequeno leito, sobre ele e ao ritmo dos últimos minutos de luz, os olhos da inocência fecham-se, com a imagem da silhueta da senhora da Arrábida, a ponte dos sonhos.
fecho os olhos e sinto-os húmidos, um vestígio desse sentimento escorre pela cútis, na janela do meu quarto já só está o meu reflexo e a saudade de ser criança, de ser inocente.
nasce um dia, morre um sonho.
BellaMafia
quinta-feira, abril 10, 2008
Shhh...
silêncio,
porque não falas?
sussurra-me algo...
estranho fidalgo
afónico.
és um gesto de mundo
sem consciência.
silêncio profundo,
qual doença.
abraça a vida incauta
e revela na pauta
a tua presença.
silêncio...
canto de ausência,
prosa infiel.
dá-me um momento,
tormento,
e afasta o teu mal.
BellaMafia
porque não falas?
sussurra-me algo...
estranho fidalgo
afónico.
és um gesto de mundo
sem consciência.
silêncio profundo,
qual doença.
abraça a vida incauta
e revela na pauta
a tua presença.
silêncio...
canto de ausência,
prosa infiel.
dá-me um momento,
tormento,
e afasta o teu mal.
BellaMafia
segunda-feira, março 31, 2008
És saudade
corres... com os olhos postos no horizonte,
rezas para que o destino não te encontre.
foges e choras pelas desculpas sem dono
mas vertes lágrimas de culpa pelo abandono.
corres, conduzido pelo som da liberdade...
na mente está um pesadelo feito realidade.
corres, foges, perdes e recuperas o fôlego,
sabes que naquela linha longínqua há algo,
um vislumbre, um perfil do semblante de fama
ou um enredo sem sujeitos, apenas uma chama.
a verdade chama pela voz de um sussurro mudo
ele vive na tua mente, que do nada fez tudo.
que nenhum obstáculo se interponha à vontade
que nenhum sentimento te esconda a verdade
corre, foge, és maior que o mundo, és saudade.
BellaMafia
rezas para que o destino não te encontre.
foges e choras pelas desculpas sem dono
mas vertes lágrimas de culpa pelo abandono.
corres, conduzido pelo som da liberdade...
na mente está um pesadelo feito realidade.
corres, foges, perdes e recuperas o fôlego,
sabes que naquela linha longínqua há algo,
um vislumbre, um perfil do semblante de fama
ou um enredo sem sujeitos, apenas uma chama.
a verdade chama pela voz de um sussurro mudo
ele vive na tua mente, que do nada fez tudo.
que nenhum obstáculo se interponha à vontade
que nenhum sentimento te esconda a verdade
corre, foge, és maior que o mundo, és saudade.
BellaMafia
segunda-feira, março 24, 2008
Harry Potter
num presente confuso, adulado por falsas promessas, angustiado pela a falta de visão do rumo traçado, é natural agarrarmo-nos à ficção - e conquando o sobrenatural - inocente e complacente com os nossos desejos.
encontrei recentemente a minha câmara dos desejos sob a forma do último e fabuloso livro de J.K.Rowling, venerado pelo nome de Harry Potter and the Deathly Hallows.
o título não favorece o livro... é indiciador de falta de maturidade e convenhamos suspeito quanto à qualidade literária, mas esta obra é uma ode à ficção mágica, converge em todos os momentos com a ausência da realidade, transportando-nos para um mundo tão distante quanto desejado. A criatividade brota a par do entusiasmo. é inebriante a forma como a autora nos conduz, sob um ritmo elevadíssimo e uma qualidade constante, ao longo de 600 páginas.
a minha ausência deste mundo, de fantasia lírica, foi saciada, senti-me de novo jovem, cheia de sonhos e ilusões, e apenas lamentei o fim da experiência. J.K. Rowling encontrou na pena o veículo para a minha felicidade e fidelidade, jamais a esquecerei, jamais esquecerei Harry Potter o jovem feiticeiro nascido para o mundo dos mortais à 11 anos. a prova de que uma personagem pode ser maior que o mundo.
BellaMafia
http://en.wikipedia.org/wiki/Harry_Potter
encontrei recentemente a minha câmara dos desejos sob a forma do último e fabuloso livro de J.K.Rowling, venerado pelo nome de Harry Potter and the Deathly Hallows.
o título não favorece o livro... é indiciador de falta de maturidade e convenhamos suspeito quanto à qualidade literária, mas esta obra é uma ode à ficção mágica, converge em todos os momentos com a ausência da realidade, transportando-nos para um mundo tão distante quanto desejado. A criatividade brota a par do entusiasmo. é inebriante a forma como a autora nos conduz, sob um ritmo elevadíssimo e uma qualidade constante, ao longo de 600 páginas.
a minha ausência deste mundo, de fantasia lírica, foi saciada, senti-me de novo jovem, cheia de sonhos e ilusões, e apenas lamentei o fim da experiência. J.K. Rowling encontrou na pena o veículo para a minha felicidade e fidelidade, jamais a esquecerei, jamais esquecerei Harry Potter o jovem feiticeiro nascido para o mundo dos mortais à 11 anos. a prova de que uma personagem pode ser maior que o mundo.
BellaMafia
http://en.wikipedia.org/wiki/Harry_Potter
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Crescer
pediram-te para crescer, tu anuiste com displicência, pensavas que o acto era natural e como qualquer momento da tua breve vida ele viria ter contigo. esperaste - e sem saberes ainda esperas - que a tua empresa se realizasse, até que na ausência de um sinal aquele que tinhas por "teu" mundo, hermético, impenetrável, começou a cobrar-te a promessa... a tua mente, ou o orgulho disfarçado, dizia-te que crescer era absurdo, porquê crescer se crescida já o eras?...a ambivalência entre a realidade e o pensamento acentuou-se, ao ponto de conflito.
agora andas perdida. tudo o que pensavas saber afinal não era e choras-te pela falta de rumo que pauta a tua vida... é desesperante.
tentas encontrar algo que te identifique naqueles que te rodeiam, aqueles que pela ordem da vida reconhecem o teu ser, pela convivência, pelo amor... aqueles que te chamam pelo nome próprio. mas deveras perguntas-te quem são, o que sabem, o que QUEREM?
ao invés cresce em ti a solidão, observas o nada com nostalgia, falta a ignorância, sabes? ela era a redoma que te protegia da verdade, da consciência, da responsabilidade... enfim do mundo.
continuam à espera que cresças, mesmo sob a ignorância da tua presença e do teu conflituoso relacionamento com o alter-ego. já não és a mesma pessoa, não és o mesmo discurso, não és a mesma pose, o mesmo carinho... sentem a tua perdição com a dor do aviso, ignoram a tua solidão pela omissão dramática que o teu corpo evoca, mas querem-te... como querem que cresças.
cresce criança... cresce e regressa ao teu sito.
to B.
BellaMafia
agora andas perdida. tudo o que pensavas saber afinal não era e choras-te pela falta de rumo que pauta a tua vida... é desesperante.
tentas encontrar algo que te identifique naqueles que te rodeiam, aqueles que pela ordem da vida reconhecem o teu ser, pela convivência, pelo amor... aqueles que te chamam pelo nome próprio. mas deveras perguntas-te quem são, o que sabem, o que QUEREM?
ao invés cresce em ti a solidão, observas o nada com nostalgia, falta a ignorância, sabes? ela era a redoma que te protegia da verdade, da consciência, da responsabilidade... enfim do mundo.
continuam à espera que cresças, mesmo sob a ignorância da tua presença e do teu conflituoso relacionamento com o alter-ego. já não és a mesma pessoa, não és o mesmo discurso, não és a mesma pose, o mesmo carinho... sentem a tua perdição com a dor do aviso, ignoram a tua solidão pela omissão dramática que o teu corpo evoca, mas querem-te... como querem que cresças.
cresce criança... cresce e regressa ao teu sito.
to B.
BellaMafia
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Acordes
agito as mãos em gesto de descompressão, junto os dedos da mão direita aos pares da mão esquerda, falange com falange, estalo-os. fecho as mãos em punho, os nós ficam brancos até me soltar de novo.
pego na minha guitarra acústica Fender, negra - qual Johnny Cash - sinto-lhe as curvas, a madeira macia envernizada. olho para as tarachas cromadas, quais espelhos de um desejo e depois as cordas de bronze, passo suavemente o indicador pela primeira corda e faço-o deslizar... sinto a textura metálica sibilar pela divisão e pelo meu âmago.
agarro com a mão esquerda o braço da guitarra e abraço o seu corpo ao meu... somos um. coloco os meus sentidos sobre as cordas e pressiono-as contra a matéria, agarro a palheta e deixo-a cair sobre as cordas estranguladas por uns dedos agora desinibidos, numa dança cumplíce.
soltam-se os acordes.
BellaMafia
pego na minha guitarra acústica Fender, negra - qual Johnny Cash - sinto-lhe as curvas, a madeira macia envernizada. olho para as tarachas cromadas, quais espelhos de um desejo e depois as cordas de bronze, passo suavemente o indicador pela primeira corda e faço-o deslizar... sinto a textura metálica sibilar pela divisão e pelo meu âmago.
agarro com a mão esquerda o braço da guitarra e abraço o seu corpo ao meu... somos um. coloco os meus sentidos sobre as cordas e pressiono-as contra a matéria, agarro a palheta e deixo-a cair sobre as cordas estranguladas por uns dedos agora desinibidos, numa dança cumplíce.
soltam-se os acordes.
BellaMafia
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Sonhar... o novo imposto
digo, não raras vezes, que sonhar não paga imposto. infelizmente, a vida e a verdade, um par de casamento difícil, têm-me exposto outras faces do pesadelo imposto. ele já não reside somente na forma de "papão" físico, exibe-se hoje o parasita como um obstáculo de proporcões crónicas à criação. já não consigo sonhar sem pensar no instante que me cobrará o acto...
levaram com a inocência o sonho, aquele que pelas palavras do póstumo Zeca Afonso, devia ser uma constante da vida. palavras sôfregas por subsistir na progressiva inconstância da vida de perdição, onde os benditos se compram com créditos fáceis - hipócritas - que singelamente conduzem a existência à descrença na instituição desejo.
vejo morrer lentamente uma parte de mim... vejo-a morrer ás mãos de uma sociedade sedenta, cega pela posse.
sonhar não paga imposto?
sonhar é a nova analogia ao crédito mal parado... ao juro e ao imposto.
enfim... como a morte, nada é tão certo.
BellaMafia
levaram com a inocência o sonho, aquele que pelas palavras do póstumo Zeca Afonso, devia ser uma constante da vida. palavras sôfregas por subsistir na progressiva inconstância da vida de perdição, onde os benditos se compram com créditos fáceis - hipócritas - que singelamente conduzem a existência à descrença na instituição desejo.
vejo morrer lentamente uma parte de mim... vejo-a morrer ás mãos de uma sociedade sedenta, cega pela posse.
sonhar não paga imposto?
sonhar é a nova analogia ao crédito mal parado... ao juro e ao imposto.
enfim... como a morte, nada é tão certo.
BellaMafia
quinta-feira, dezembro 13, 2007
O Jogo
chutas para a frente, por instinto,
sabes que lá reside o teu destino.
corres predador do objecto
ignorante das infracções no trajecto.
recebes a bola - o teu âmago – desde menino.
chutas para a frente… com fé.
sabes que o futuro é tudo o que o agora não é.
lutas, debates-te, defendes o que é teu,
provas que a tua vontade ainda não morreu.
rematas contra o insucesso, na esperança
de um dia o teu nome ser a tua herança.
BellaMafia
sabes que lá reside o teu destino.
corres predador do objecto
ignorante das infracções no trajecto.
recebes a bola - o teu âmago – desde menino.
chutas para a frente… com fé.
sabes que o futuro é tudo o que o agora não é.
lutas, debates-te, defendes o que é teu,
provas que a tua vontade ainda não morreu.
rematas contra o insucesso, na esperança
de um dia o teu nome ser a tua herança.
BellaMafia
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Promessas
o vento sussurra, palavras sem conceitos ou vícios, palavras que acariciam a mais singela esperança dos esperançosos. um simples sopro concebe maravilhas.
criado a 08/06/1998 e honrado hoje, com alguns acertos. o aforismo da utopia.
BellaMafia
criado a 08/06/1998 e honrado hoje, com alguns acertos. o aforismo da utopia.
BellaMafia
domingo, dezembro 09, 2007
Soldados da miséria
nos campos razos pela destruição, milhares de rostos olham inexpressivos para o futuro, lugar de luxo onde vagam poucas esperanças. e aquele estrangeiro, de armas, que defende a miséria, aquele a quem por "sorte" tem a paz de encontrar lágrimas no rosto do sofrimento e o "azar" de tatuar no coração o momento em que um mundo se transforma em dois. o mundo dos que têm que morrer e o outro, sem nome, expectante pela honra do baptismo, pelo caleidoscópio de mentalidades que representa.
assim se pinta o quadro. soldados da miséria.
a Darfur.
Brothers In Arms
these mist covered mountains
are a home now for me
but my home is the lowlands
and always will be
some day you’ll return to
your valleys and your farms
and you’ll no longer burn
to be brothers in arms
through these fields of destruction
baptisms of fire
i’ve watched all your suffering
as the battles raged higher
and though they did hurt me so bad
in the fear and alarm
you did not desert me
my brothers in arms
there’s so many different worlds
so many different suns
and we have just one world
but we live in different ones
now the suns gone to hell
and the moons riding high
let me bid you farewell
every man has to die
but it’s written in the starlight
and every line on your palm
we’re fools to make war
on our brothers in arms
Dire Straits
BellaMafia
assim se pinta o quadro. soldados da miséria.
a Darfur.
Brothers In Arms
these mist covered mountains
are a home now for me
but my home is the lowlands
and always will be
some day you’ll return to
your valleys and your farms
and you’ll no longer burn
to be brothers in arms
through these fields of destruction
baptisms of fire
i’ve watched all your suffering
as the battles raged higher
and though they did hurt me so bad
in the fear and alarm
you did not desert me
my brothers in arms
there’s so many different worlds
so many different suns
and we have just one world
but we live in different ones
now the suns gone to hell
and the moons riding high
let me bid you farewell
every man has to die
but it’s written in the starlight
and every line on your palm
we’re fools to make war
on our brothers in arms
Dire Straits
BellaMafia
sábado, dezembro 01, 2007
Pecado capital
observo-te do exterior, qual predador.
vejo-te passear a vida entre assoalhadas,
com o amor de quem sabe o que tem.
um amor inferior ao meu desejo de matar.
no silêncio aproximo-me do teu umbral,
oculto pela dança das folhas, quedas pelo vento,
escuto os teus sons e conto cada passo a compasso,
numa pauta marcada pelo ritmo do inevitável.
elevo a janela da cozinha, entreaberta.
o teu cheiro invade os meus sentidos.
a mescla do doce perfume com o odor de vítima
apazigua o último vestígio de consciência em mim.
perfeita, erecta, encontras-te a contraluz.
a iluminação envergonhada produz magia,
e observo a dança da tua sombra ao som do nada
antes de me fazer teu par na valsa da morte.
aprisiono-te sob o ar insuspeito da surpresa,
a dança, antes tão sensual, poética torna-se abrupta,
tentas resistir à minha investida... sem sucesso,
até te imobilizar finalmente... os meus braços nos teus.
olho pela última vez a vida do teu contemplar,
tremo ao abraçar as minhas mãos ao teu pescoço...
ao sentir a circulação esvanecer, qual rio sem corrente.
fico a ver a luz ausentar-se no teu último olhar.
deixo-te. morta.
BellaMafia
vejo-te passear a vida entre assoalhadas,
com o amor de quem sabe o que tem.
um amor inferior ao meu desejo de matar.
no silêncio aproximo-me do teu umbral,
oculto pela dança das folhas, quedas pelo vento,
escuto os teus sons e conto cada passo a compasso,
numa pauta marcada pelo ritmo do inevitável.
elevo a janela da cozinha, entreaberta.
o teu cheiro invade os meus sentidos.
a mescla do doce perfume com o odor de vítima
apazigua o último vestígio de consciência em mim.
perfeita, erecta, encontras-te a contraluz.
a iluminação envergonhada produz magia,
e observo a dança da tua sombra ao som do nada
antes de me fazer teu par na valsa da morte.
aprisiono-te sob o ar insuspeito da surpresa,
a dança, antes tão sensual, poética torna-se abrupta,
tentas resistir à minha investida... sem sucesso,
até te imobilizar finalmente... os meus braços nos teus.
olho pela última vez a vida do teu contemplar,
tremo ao abraçar as minhas mãos ao teu pescoço...
ao sentir a circulação esvanecer, qual rio sem corrente.
fico a ver a luz ausentar-se no teu último olhar.
deixo-te. morta.
BellaMafia
quarta-feira, novembro 21, 2007
quinta-feira, novembro 15, 2007
As demais ausências
há momentos na vida em que tudo se torna obsoleto, e qual escultura de cinzas acariciada pelo vento, o sentido tende a desaparecer, pedaço a pedaço rumo ao esquecimento. os olhos cegam, os sentidos perdem razão e só o escuro, o inodoro, o silêncio... o vazio, restam no soçobrar de uma vida individual mas demasiado divisível no seu valor.
enfim, é nesses momentos invisíveis que me deixo agarrar à única invariável na "vida"... a depressão, pois ela é a única que me abraça e protege nesse lugar de ninguém.
BellaMafia
enfim, é nesses momentos invisíveis que me deixo agarrar à única invariável na "vida"... a depressão, pois ela é a única que me abraça e protege nesse lugar de ninguém.
BellaMafia
terça-feira, novembro 13, 2007
domingo, novembro 11, 2007
Início
cada lágrima, salgada, que cai pelo meu rosto é uma imagem tua. o dormir, o teu acordar, o teu rir, o teu sonhar... não são apenas lágrimas que caem mas momentos. como se toda uma parte de mim se esvanecesse nessas pequenas particulas.
em cada lágrima minha vejo o teu reflexo... sinto-te como a subtileza da briza em dias de calor, espero espectante um retorno que sei inexistente. tu desapareces em cada lágrima, salgada, que cai pelo meu rosto, mas a dor fica para a eternidade. fica e eu desejo-a.
BellaMafia
em cada lágrima minha vejo o teu reflexo... sinto-te como a subtileza da briza em dias de calor, espero espectante um retorno que sei inexistente. tu desapareces em cada lágrima, salgada, que cai pelo meu rosto, mas a dor fica para a eternidade. fica e eu desejo-a.
BellaMafia
terça-feira, outubro 09, 2007
Mutação
... e porque todos somos melhores amigos de alguém,
e porque todos perdemos alguém ou alguma coisa,
e porque todos recordamos os erros e as vitórias,
todos mudamos, e a mudar sempre estaremos.
BellaMafia
Changes
I feel unhappy
I feel so sad
I've lost the best friend
That I ever had
She was my woman
I love her so
But it's too late now
I've let her go
I'm going through changes
I'm going through changes
We share the eve's
We share each day
In love together
We found a way
But soon the world
Had it's evil way
My heart was blinded
Love went astray
I'm going through changes
I'm going through changes
It took so long To realize
That I can still hear
Her last goodbyes
Now all my days
Are filled with tears
Wish I could go back
And change these years
I'm going through changes
I'm going through changes
Black Sabbath - Vol. 4 (1972)
e porque todos perdemos alguém ou alguma coisa,
e porque todos recordamos os erros e as vitórias,
todos mudamos, e a mudar sempre estaremos.
BellaMafia
Changes
I feel unhappy
I feel so sad
I've lost the best friend
That I ever had
She was my woman
I love her so
But it's too late now
I've let her go
I'm going through changes
I'm going through changes
We share the eve's
We share each day
In love together
We found a way
But soon the world
Had it's evil way
My heart was blinded
Love went astray
I'm going through changes
I'm going through changes
It took so long To realize
That I can still hear
Her last goodbyes
Now all my days
Are filled with tears
Wish I could go back
And change these years
I'm going through changes
I'm going through changes
Black Sabbath - Vol. 4 (1972)
segunda-feira, outubro 01, 2007
Erro
a vida é um ciclo, onde em determinados pontos questionamos onde é que errámos. a verdade é que não erramos, não existem erros... quando existe apenas uma linha - fina - que define um caminho que obcessivamente vai dar ao déjà vu. a nossa postura comportamental é que define esse ciclo e nós não somos nada mais que aquilo que o parlamento neural exige de nós.
por isso pergunto será que de facto erramos, ou o erro é apenas um desejo de que o ciclo se transforme numa linha com um ponto de fuga sem parcimónias?
BellaMafia
por isso pergunto será que de facto erramos, ou o erro é apenas um desejo de que o ciclo se transforme numa linha com um ponto de fuga sem parcimónias?
BellaMafia
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