estava um calor de morte, os lençóis, depois de várias vezes repudiados, exibiam o desespero pela era glaciar, as portadas do quarto estavam cerradas protegendo-me da insegurança das janelas abertas, eu tentava solucionar a minha pseudo-insónia estrangulando a almofada e colocando-a em posições pouco ortodoxas, numa tentativa clara de descobrir a relação científica entre a almofada e o sono. Enquanto me distraía, qual sonâmbula, com futilidades, extramuros - na rua - um plot desenrolava-se qual amores perros de Alejandro González Iñárritu, sem as lesbiandades...
brevemente num blog perto de si.
BellaMafia
quarta-feira, agosto 16, 2006
terça-feira, julho 11, 2006
FWC
ouvem-se ecos pelas águas de cascais, as ninfas e tristãos titulares dos gruares festivos, espraiam-se desde a praía de carcavelos, passando pelo projecto de marina residente em cascais, acabando no isolado Bar do Guincho. reune-os um simples evento, o mundial de futebol. e por momentos , mesmos os mais cépticos à magia desse desporto de massas, desse bailado com bola, de homens de barba rija e camisola suada, se rendem ao abraçar das cores, que antagónicas no campo, se acopulam como complementares. os laranjas mecânicos com os verdes e vermelhos quinados, os azuis e brancos anglicanos com o amarelo IKEA, entre outras paletas de cores.
agora que acabaram os ecos, sobram as sombras daqueles que cantaram vitória ou choraram a derrota, mas acima de tudo procuro nessas sombras aqueles momentos que me dizem: para a próxima será nossa, next time it will be ours, la proche sera nôtre, esdrechen bit froki, 123 traduções pimpampum! porque eu também o digo, em surdina, para a próxima será nossa... a chama reacende-se e com elas as recordações conservadas nas sombras quais relíquias dos momentos extáticos e de desespero...
volta mundial, fugiste-nos, mas estás perdoado, volta...
BellaMafia
agora que acabaram os ecos, sobram as sombras daqueles que cantaram vitória ou choraram a derrota, mas acima de tudo procuro nessas sombras aqueles momentos que me dizem: para a próxima será nossa, next time it will be ours, la proche sera nôtre, esdrechen bit froki, 123 traduções pimpampum! porque eu também o digo, em surdina, para a próxima será nossa... a chama reacende-se e com elas as recordações conservadas nas sombras quais relíquias dos momentos extáticos e de desespero...
volta mundial, fugiste-nos, mas estás perdoado, volta...
BellaMafia
quarta-feira, junho 28, 2006
Sexy
estou no meio da pista, cores dançam agitadas à minha volta e embora emparelhada num invulgar número de pessoas, sinto aquele momento exclusivo... meu! a música envolve-me e sinto-o.
o meu corpo ausenta-se da minha mente, como um objecto autómato mexe-se hipnoticamente ao ritmo das batidas sexys que influem pelas minhas veias. o baixo marca os movimentos daquela presença estranha. danço como a rainha da sexualidade: mexe-se o ventre, as ancas deambulam da esquerda para a direita em movimentos circulatórios, as mãos desenham o meu perfil, como que esculpindo virtualmente o corpo insano, enquanto as roupas sufocam de atracção áquele ritmo louco, quase selvagem... e num momento, como que em slow motion observo a minha mente acopular-se ao meu corpo e uma sensação nevrótica estravassa por todos os meus poros, que de tão eléctricos emanam uma aura invisível aos que desconhecem o nirvana.
sinto-me livre, extática... deixo-me levar pelo som... e sinto-me sexy.
BellaMafia
o meu corpo ausenta-se da minha mente, como um objecto autómato mexe-se hipnoticamente ao ritmo das batidas sexys que influem pelas minhas veias. o baixo marca os movimentos daquela presença estranha. danço como a rainha da sexualidade: mexe-se o ventre, as ancas deambulam da esquerda para a direita em movimentos circulatórios, as mãos desenham o meu perfil, como que esculpindo virtualmente o corpo insano, enquanto as roupas sufocam de atracção áquele ritmo louco, quase selvagem... e num momento, como que em slow motion observo a minha mente acopular-se ao meu corpo e uma sensação nevrótica estravassa por todos os meus poros, que de tão eléctricos emanam uma aura invisível aos que desconhecem o nirvana.
sinto-me livre, extática... deixo-me levar pelo som... e sinto-me sexy.
BellaMafia
À deriva pelas sombras de um concelho

estava a passear pelo paredão, diga-se para os que não estão familiarizados com o termo, que é a denominação que os cascaenses dedicam à via pedonal que se prolonga pela costa do sol, banhada pela rebentação das águas de Dezembro e iluminada pelo sol de Julho... mas como aferia, passeava eu pelo paredão, observando a estereoctomia do pavimento e imaginando quantas vidas teriam pisado o mesmo destino, quantas o teriam percorrido pelo instinto do atraso para um encontro, quantas teriam simplesmente dedicado a sua presença ao exercício do jogging ou do walking... quantas teriam, como eu, practicado a faculdade do percurso pelo simples prazer da observação da vida emanescente. apreciar o skyline da vila de Cascais, sentir a presença do turismo eclético a cruzar-se com o rudimentarismo, tão nosso, como poético.
caminhei sob a aura de uma nobreza pretérita, os senhores e fidalgos que em tempo tomavam este nosso encanto, como a folga elitista dos afortunados. suspirei mentalmente a evolução, hoje sou plebeia e digna de caminhar sobre aquele chão tão mais nobre que aqueles que se afirmavam ser.
avistei no horizonte os domínios que encerravam o concelho, não me preocupei com o desarranjo urbano, ou a carência de certos atributos dignos de um concelho como o de Cascais. olhei... simplemente olhei com olhos de ver, aconchegagada por um profundo sentimento de paz, respirei fundo para levar comigo um pouco mais daquele segredo e pensei: sim, isto é Cascais.
(crónica escrita para o novo site Cascaisonline.com)
BellaMafia
quarta-feira, junho 21, 2006
Hollywood
dizia-me um pseudo-conhecido: "há alguma dama ou cavalheiro que tenha a bondade de me auxiliar?", dizia-o de forma ritmada, como o glosar de um musical à mendigagem... mas começemos pelo princípio.
investia eu pelos eternos corredores e escadas rolantes do metropolitano da Baixa-Chiado, procurava o lugar que acedia à minha longa viagem para a nobre Alvalade. Encontrei-o tão despido de cor como de gente, vislumbrei a poucos metros, quase oculto pela escuridão das sombras, um homem cabisbaixo, brincava com o que parecia ser uma vara (tipo: estão a ver o Dr. House?, era antagónico!)... tive num instante receio pela solidão que nos unia. "eu só com um tarado de vara?" dizia aquele departamento sofrido da minha consciência, entre momentos de confiança exacerbada e teatral. abracei-me.
por motivos superiores à minha homo sapiens sapiens sapienidade a estação pareceu envolver-se numa escuridão, digna de uma ode à obscuridade... tentei convencer-me que o escuro, como o frio e tantas outras coisas estúpidas, era psicológico mas uma vez mais a minha consciência sofrida se manifestou. parecia uma cabala, a escuridão, a ausência humana, a dramatização do homem cabisbaixo de vara em punho... era o destino a dizer-me "baza-baza, vai p'ra casa-casa, abre a pestana-tana, qu'isto aqui não é um filme babe!" - ok a parte do babe não entra na música mas convenhamos que "boy" não se adequa à minha sexualidade!
um ruído estranho ao silêncio wes craveniano, soou e eu que permanecia inerte, freezed qual bloco de gelo branco, pálido (imaginando, claro!, a existência, ainda que rara, de cubos de gelo corados...) estremeci. seria o metro? ou o último, o derradeiro elemento do drama que me levaria à vitimização de um qualquer acto criminoso?
o ruído elevou-se e com ele fez-se luz... era o metro! estava salva!
apressei-me a entrar na barca da salvação, sentei-me naqueles bancos sujos e descascados como se fossem poltronas Divanni & Divanni... pensei quão acolhedor conseguia ser um velho metro, a presença de dezenas de desconhecidos, ser a agulha no palheiro.... hum, era de facto capaz de amar aquelas pessoas... aquele palheiro.
enquanto me enleava com estes pensamentos petrarquistas um bater irritante no chão teimava em assassinar a minha boa disposição. interrompi o meu estado etéreo e voltei-me para identificar o usurpador do momento, quando no meu raio de visão surgiu um homem hirto, de vara na mão e convicto... assustei-me de novo, estaria a ser perseguida? olhei com mais cuidado a personagem assustadora, à espera de identificar o meu quase-talvez-agressor, era alto, e tinha uma expressão estranha... não! ele não tinha uma expressão estranha, ele era cego! e no mesmo momento que a minha agora lívida consciência tomou conta do facto, o desconhecido fez-se ouvir: "há alguma dama ou cavalheiro que tenha a bondade de me auxiliar?"
BellaMafia
investia eu pelos eternos corredores e escadas rolantes do metropolitano da Baixa-Chiado, procurava o lugar que acedia à minha longa viagem para a nobre Alvalade. Encontrei-o tão despido de cor como de gente, vislumbrei a poucos metros, quase oculto pela escuridão das sombras, um homem cabisbaixo, brincava com o que parecia ser uma vara (tipo: estão a ver o Dr. House?, era antagónico!)... tive num instante receio pela solidão que nos unia. "eu só com um tarado de vara?" dizia aquele departamento sofrido da minha consciência, entre momentos de confiança exacerbada e teatral. abracei-me.
por motivos superiores à minha homo sapiens sapiens sapienidade a estação pareceu envolver-se numa escuridão, digna de uma ode à obscuridade... tentei convencer-me que o escuro, como o frio e tantas outras coisas estúpidas, era psicológico mas uma vez mais a minha consciência sofrida se manifestou. parecia uma cabala, a escuridão, a ausência humana, a dramatização do homem cabisbaixo de vara em punho... era o destino a dizer-me "baza-baza, vai p'ra casa-casa, abre a pestana-tana, qu'isto aqui não é um filme babe!" - ok a parte do babe não entra na música mas convenhamos que "boy" não se adequa à minha sexualidade!
um ruído estranho ao silêncio wes craveniano, soou e eu que permanecia inerte, freezed qual bloco de gelo branco, pálido (imaginando, claro!, a existência, ainda que rara, de cubos de gelo corados...) estremeci. seria o metro? ou o último, o derradeiro elemento do drama que me levaria à vitimização de um qualquer acto criminoso?
o ruído elevou-se e com ele fez-se luz... era o metro! estava salva!
apressei-me a entrar na barca da salvação, sentei-me naqueles bancos sujos e descascados como se fossem poltronas Divanni & Divanni... pensei quão acolhedor conseguia ser um velho metro, a presença de dezenas de desconhecidos, ser a agulha no palheiro.... hum, era de facto capaz de amar aquelas pessoas... aquele palheiro.
enquanto me enleava com estes pensamentos petrarquistas um bater irritante no chão teimava em assassinar a minha boa disposição. interrompi o meu estado etéreo e voltei-me para identificar o usurpador do momento, quando no meu raio de visão surgiu um homem hirto, de vara na mão e convicto... assustei-me de novo, estaria a ser perseguida? olhei com mais cuidado a personagem assustadora, à espera de identificar o meu quase-talvez-agressor, era alto, e tinha uma expressão estranha... não! ele não tinha uma expressão estranha, ele era cego! e no mesmo momento que a minha agora lívida consciência tomou conta do facto, o desconhecido fez-se ouvir: "há alguma dama ou cavalheiro que tenha a bondade de me auxiliar?"
BellaMafia
sábado, junho 17, 2006
Duas faces simbióticas
letárgico, sim! como um sono profundo, as pessoas, a vida, causas injustas... eu penso e fico com medo. nada é como parece, tudo é utópico, desconfiável.
julgamos e sofremos, eu sofro na tentativa de julgar correcta e imparcialmente... mas nada é como parece. vida cruel! olha-nos sem clemência - talvez demência - até nos questionarmos. quem sou eu? quem és tu? serei mesmo eu? serei eu outrém? ou NINGUÉM...
letárgico, como um sono profundo. adormecemo-nos naquela que, por ensejo, acreditamos ser a liberdade, ludibriamo-nos com hipóteses de sonho, confiamos nos outros - aqueles que nos prometem o sonho - confiamos na nossa cegueira, no nosso mau instinto e depois... depois sofremos por aqueles a quem confiamos a confiança. ELES. eu sofro-os.
olho o meu reflexo, aquela janela da verdade a quem chamam espelho, e olho-me cegamente, eu confio-me mas a sombra da dúvida paira como o sfumato no quadro espelhado. serei eu mesmo eu? serás tu...?
tenho medo, nada é como parece, eu posso amar-te sem saber... e tu? confio-te a minha ignorância, mas o receio controla a confiança porque eu não sei quem tu és e nada é como parece.
(escrito a 11/97, dedicado à Causa Justa, arranjado a 17 de junho de 2006)
BellaMafia
julgamos e sofremos, eu sofro na tentativa de julgar correcta e imparcialmente... mas nada é como parece. vida cruel! olha-nos sem clemência - talvez demência - até nos questionarmos. quem sou eu? quem és tu? serei mesmo eu? serei eu outrém? ou NINGUÉM...
letárgico, como um sono profundo. adormecemo-nos naquela que, por ensejo, acreditamos ser a liberdade, ludibriamo-nos com hipóteses de sonho, confiamos nos outros - aqueles que nos prometem o sonho - confiamos na nossa cegueira, no nosso mau instinto e depois... depois sofremos por aqueles a quem confiamos a confiança. ELES. eu sofro-os.
olho o meu reflexo, aquela janela da verdade a quem chamam espelho, e olho-me cegamente, eu confio-me mas a sombra da dúvida paira como o sfumato no quadro espelhado. serei eu mesmo eu? serás tu...?
tenho medo, nada é como parece, eu posso amar-te sem saber... e tu? confio-te a minha ignorância, mas o receio controla a confiança porque eu não sei quem tu és e nada é como parece.
(escrito a 11/97, dedicado à Causa Justa, arranjado a 17 de junho de 2006)
BellaMafia
Dança das palavras
pego na caneta, arrasto-a pelo papel qual dança coreográfica destinada à criação. não são palavras quaisquer que surgem do desígnio, são de léxico redondo e métrica eloquente, pautadas por razões superiores à razão.
não me abstraio de pensar, enquanto a ponta extrema da minha intenção resiste ao lugar comum das palavras... espero o sentido divino em cada gesto, espero o momento em que palavras iludem palavras e realizam acções.
por isso pego na caneta, aquele instrumento solitário, de vida finita... aquele a quem desejo dar o destino que qualquer caneta merece, o destino da obra de arte, do casamento da prosa, do baptismo da folha virgem, da consumação do acto... e ao pensar arranho a tal folha virgem e exprimo o que me traz o âmago à memória.
BellaMafia
não me abstraio de pensar, enquanto a ponta extrema da minha intenção resiste ao lugar comum das palavras... espero o sentido divino em cada gesto, espero o momento em que palavras iludem palavras e realizam acções.
por isso pego na caneta, aquele instrumento solitário, de vida finita... aquele a quem desejo dar o destino que qualquer caneta merece, o destino da obra de arte, do casamento da prosa, do baptismo da folha virgem, da consumação do acto... e ao pensar arranho a tal folha virgem e exprimo o que me traz o âmago à memória.
BellaMafia
terça-feira, junho 13, 2006
Um quarto de memórias
Chegado o horizonte
__________Ponte do sonho /pesadelo,
Fico-me estático sobre pilares de dúvida.
Conta-se sem segredo,
________Mas medo, quem de lá não regressou.
Fico réu, aquele a quem,
___no mar de ninguém, a consciência afirma:
______________________o mundo mudou!
no silêncio, mudo cedo
e experimento a medo, o chão que o fado me indicou.
(criado em 2002, por moimêmemyself, como diria um nevermind.)
BellaMafia
__________Ponte do sonho /pesadelo,
Fico-me estático sobre pilares de dúvida.
Conta-se sem segredo,
________Mas medo, quem de lá não regressou.
Fico réu, aquele a quem,
___no mar de ninguém, a consciência afirma:
______________________o mundo mudou!
no silêncio, mudo cedo
e experimento a medo, o chão que o fado me indicou.
(criado em 2002, por moimêmemyself, como diria um nevermind.)
BellaMafia
domingo, junho 11, 2006
Daltonismo
i am color...blind
coffee black and egg white
pull me out from inside
i am ready
i am ready
i am ready
i am
taffy stuck, tongue tied
stuttered shook and uptight
pull me out from inside
i am ready
i am ready
i am ready
i am...fine
i am covered in skin
no one gets to come in
pull me out from inside I am folded, and unfolded, and unfolding
i am
colorblind
coffee black and egg white
pull me out from inside
i am ready
i am ready
i am ready
i am...fine
i am.... fine
i am fine
(colorblind, by the countingcrows)
dizem que o daltonismo atinge só os homens, pois eu vejo muitas mulheres daltónicas deambularem pela vida como representantes de um pantone de cores. mulheres que não sabem amar o que têm, não sabem dar valor ao que têm e depois... não sabem perder o que tiveram.
triste. triste história... é depois dizerem: "como fui tão cega"... blind, eu diria mesmo colorblind.
BellaMafia
coffee black and egg white
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i am ready
i am ready
i am ready
i am
taffy stuck, tongue tied
stuttered shook and uptight
pull me out from inside
i am ready
i am ready
i am ready
i am...fine
i am covered in skin
no one gets to come in
pull me out from inside I am folded, and unfolded, and unfolding
i am
colorblind
coffee black and egg white
pull me out from inside
i am ready
i am ready
i am ready
i am...fine
i am.... fine
i am fine
(colorblind, by the countingcrows)
dizem que o daltonismo atinge só os homens, pois eu vejo muitas mulheres daltónicas deambularem pela vida como representantes de um pantone de cores. mulheres que não sabem amar o que têm, não sabem dar valor ao que têm e depois... não sabem perder o que tiveram.
triste. triste história... é depois dizerem: "como fui tão cega"... blind, eu diria mesmo colorblind.
BellaMafia
sábado, junho 10, 2006
Panaceias
é enquanto prostrados numa cama, que sentimos o peso da energia que reside em nós... quando ela se esvai, qual amor desenamorado, e uma dor profunda enterra-se nos nossos pontos xacras e contorcemo-nos, arrepiamo-nos, sentimo-nos ensandecer.
tomamos a panaceia, a esperança, por momentos pouco lúcidos, reside naquele pequeno volume geométrico, de atributos anónimos ao nosso padecimento, e quando a dor se ausenta e a convalescença se apronta, amamos a panaceia como um deus, que nos perdou os pecados que não recordamos.
viramos fãs, gritamos no meio da multidão o seu nome, exibimos cartazes de apoio e juramos que reside ali a salvação, "pois nós fomos salvos" dizemos com convicção.
- assim reside a fé do povo, seja ele ecléctico, divino, elitista, pobre ou média-classe - quem sabe média gama! - basta uma panaceia, uma palavra, um credo, para que as mentes hipnóticas que "sensivelmente" tratamos se quedam por um conto de fadas, que a existir reside apenas nas mentes de quem veste a pele das personagens.
BellaMafia
tomamos a panaceia, a esperança, por momentos pouco lúcidos, reside naquele pequeno volume geométrico, de atributos anónimos ao nosso padecimento, e quando a dor se ausenta e a convalescença se apronta, amamos a panaceia como um deus, que nos perdou os pecados que não recordamos.
viramos fãs, gritamos no meio da multidão o seu nome, exibimos cartazes de apoio e juramos que reside ali a salvação, "pois nós fomos salvos" dizemos com convicção.
- assim reside a fé do povo, seja ele ecléctico, divino, elitista, pobre ou média-classe - quem sabe média gama! - basta uma panaceia, uma palavra, um credo, para que as mentes hipnóticas que "sensivelmente" tratamos se quedam por um conto de fadas, que a existir reside apenas nas mentes de quem veste a pele das personagens.
BellaMafia
terça-feira, junho 06, 2006
Encontro imediato
não me esqueci de ti.
___contei ser dona de um estar
___que calasse esta dor em mim...
___e não consegui.
não! Não me esqueci de ti.
___como um poeta quedado na dor,
___ignorei tudo menos palavras e escrevi,
___as tuas sombras, as tuas pégadas, o teu calor.
não me esqueci de ti.
___vives no epicentro da minha consciência sísmica,
___fazes-me olvidar palavras e falar por mímica.
___por tudo o que escrevi, vivi e vi...
como posso eu me esquecer de ti?
BellaMafia
___contei ser dona de um estar
___que calasse esta dor em mim...
___e não consegui.
não! Não me esqueci de ti.
___como um poeta quedado na dor,
___ignorei tudo menos palavras e escrevi,
___as tuas sombras, as tuas pégadas, o teu calor.
não me esqueci de ti.
___vives no epicentro da minha consciência sísmica,
___fazes-me olvidar palavras e falar por mímica.
___por tudo o que escrevi, vivi e vi...
como posso eu me esquecer de ti?
BellaMafia
sexta-feira, junho 02, 2006
Golpe de teatro
atravesso o umbral da velha porta do drama, as luzes tocam na sala quais dedos de sol, subtraindo à sala vazia o domínio das sombras, vestindo o espaço despido de presença.
não estranho a ausência humana... o espéctaculo foi tristemente alienado pelas audiências do pseudismo cultural. preencho cada cadeira abandonada com um pensamento na esperança de ver devolvido o investimento.
sento-me. estou emparelhada pelo vazio, à esquerda imagino-o de expressão carregada, pensativa como que a perscrutar um folílio com o exórdio da peça. à direita acompanha-me um vazio boémio. descontraído na pose como na vida, sem esperanças por simples falta de consciência, aguarda o iniciar da peça, como espera pelo iniciar da sua própria vida.
fecho os olhos. já não resta muito tempo, ele rouba-me os minutos. reabro os olhos e vejo as luzes a esmorecerem, o meu coração acelera, ouço as pancadas na velha madeira do palco plagiante da vida e sinto o remexer das cortinas qual composição musical. elevam-se e com elas elevo-me eu. acabou o sonho, começa o drama e sem sentir tristeza pela perda, invisto num novo sonho e parto.
BellaMafia
não estranho a ausência humana... o espéctaculo foi tristemente alienado pelas audiências do pseudismo cultural. preencho cada cadeira abandonada com um pensamento na esperança de ver devolvido o investimento.
sento-me. estou emparelhada pelo vazio, à esquerda imagino-o de expressão carregada, pensativa como que a perscrutar um folílio com o exórdio da peça. à direita acompanha-me um vazio boémio. descontraído na pose como na vida, sem esperanças por simples falta de consciência, aguarda o iniciar da peça, como espera pelo iniciar da sua própria vida.
fecho os olhos. já não resta muito tempo, ele rouba-me os minutos. reabro os olhos e vejo as luzes a esmorecerem, o meu coração acelera, ouço as pancadas na velha madeira do palco plagiante da vida e sinto o remexer das cortinas qual composição musical. elevam-se e com elas elevo-me eu. acabou o sonho, começa o drama e sem sentir tristeza pela perda, invisto num novo sonho e parto.
BellaMafia
quarta-feira, maio 24, 2006
Quatro pregos
quatro pregos escondem um quadro de pecados. como cicatrizes que o tempo escondeu mas não esqueceu. contornam-nos, quais eloquentes ondas sísmicas, nervuras concêntricas, que a idade condenou ao flagelo da presença eterna num rumor de lugar. E qual simbolo do excelso - oh! prego - pregas o belo na fealdade do acto atroz...
sim, são meros pregos enterrados num pedaço de madeira... mas serão também golpes inflingidos na alma de quem sente o pedaço de madeira como seu âmago.
pois virgem é o pensamento daquele cujo prego é nada mais que um mero prego.
(consultar mindplaces.awardspace.com)
BellaMafia
sim, são meros pregos enterrados num pedaço de madeira... mas serão também golpes inflingidos na alma de quem sente o pedaço de madeira como seu âmago.
pois virgem é o pensamento daquele cujo prego é nada mais que um mero prego.
(consultar mindplaces.awardspace.com)
BellaMafia
quinta-feira, maio 11, 2006
O espelho
volto-me... e revolto-me, sem paixão por aquela vida cíclica que sangra o sonho. custa-me olhar-te nos olhos e sentir o crónico afastamento. não tenho ilusões, para tal bastas-me tu... uma parca imagem que se perpétua nesta existência sem cor. como um pouco de tudo e um muito de nada, vejo-te promessa brilhante prostrada ao sono da vaidade.
não tenho como sair de ti, fizeste-te residente... um contentamento descontente, assumo-te como um ópio, serva da vontade sem rumo.
e é quando te olho no espelho, qual montra de defeitos e dor, que sinto o triste fado em mim.
BellaMafia
não tenho como sair de ti, fizeste-te residente... um contentamento descontente, assumo-te como um ópio, serva da vontade sem rumo.
e é quando te olho no espelho, qual montra de defeitos e dor, que sinto o triste fado em mim.
BellaMafia
terça-feira, maio 02, 2006
Carta de amor
estou afogueada, bate na mesa de vidro temperado o sol das quatro, mas não bate quente, é uma qualquer reacção em mim que me denutre... fecho os olhos e pergunto-me que falta terei. à mente assolam-me pensamentos teus, rasgo um sorriso na cara quando te revejo na praia a gelar com o frio das águas de Maio... é a saudade, sim a saudade que me afronta o estar, quero-te perto mas tenho-te longe. olho-te pelos olhos de Deus, não há figura mais perfeita que a tua e a suspeita de imperfeição é o gesto obsequiante do ser divino.
sustenho a respiração, passou mais um minuto... outro segundo... o tempo leva-me a ti e eu deixo-me ir. o caminho é tão longo... tenho medo de me perder no desvaire da vontade, mas tu tiras-me os pés do chão e deixas-me voar sem medo do ontem, do hoje, do amanhã.
receio abrir os olhos para não te encontrar lá. sem ti visto um manto de nada... sou a tua ausência, uma sombra num dia sem luz, um sonho sem lar.
como um medley que anseia pelo suspiro da audiência, continuo à espera da tua aparição, sei que será para breve a reunião, mas até lá...
vivo cumplice com a vida e tu és a unica testemunha. vem, vem depressa e fica.
"This one's dedicated to the one i love"
Joao Ribeiro
BellaMafia
sustenho a respiração, passou mais um minuto... outro segundo... o tempo leva-me a ti e eu deixo-me ir. o caminho é tão longo... tenho medo de me perder no desvaire da vontade, mas tu tiras-me os pés do chão e deixas-me voar sem medo do ontem, do hoje, do amanhã.
receio abrir os olhos para não te encontrar lá. sem ti visto um manto de nada... sou a tua ausência, uma sombra num dia sem luz, um sonho sem lar.
como um medley que anseia pelo suspiro da audiência, continuo à espera da tua aparição, sei que será para breve a reunião, mas até lá...
vivo cumplice com a vida e tu és a unica testemunha. vem, vem depressa e fica.
"This one's dedicated to the one i love"
Joao Ribeiro
BellaMafia
segunda-feira, maio 01, 2006
A relação petróleo/neurónios
ok... à partida a razão entre estes dois fenómenos naturais - naturais de formas diferente, pois claro! - é algo abstracta, abstracta por que este é o novo vocábulo utilizado para justificar a inexistência.
eu, porque não sou pessoa para padecer nas raias da inexistência tratei de arranjar algo de substantivo para este adjectivo... a verdade, caros chewies (nome de todos os leitores ávidos por uma boa história... ou será estória?, estou tentada a escrever hestória, bem não sei!), é que a relação entre estes dois paradigmas da sociedade moderna vaticina o fim da existência. E perguntam voçês: mas como é que soubeste isso mestre? bem, não posso responder a essa pergunta, mas dou-vos uma pista: CLARIVIDÊNCIA!
O nosso, até à bem pouco tempo, amigo petróleo entrou numa onda de hostilidades. Recusa-se a reproduzir - mesmo violando as leis do santíssimo sacramento e vaticano - continua a utilizar preservativos nos seus componentes, inviabilizando a criação! e nós esmorecemos com sede e ficamos espectantes com as sucessivas one night stand do gajo! Ora só me resta aferir o que já aferi, é o fim da existência... no oil no spoil, no spoil no fun, no fun buy a gun and eliminate your sad, sad, sad sorrow ass!
Quanto aos famigerados neurónios... é razão para dizer soltem os prisioneiros, sim porque nós só podemos estar encarcerados na burrice. Viver na sombra de um ímpio elemento como o petróleo, pecaminoso, que vive da luxuria... sim, é razão para os neurónios erguerem a honra e clamarem mea culpa, porque nós vivemos subjugados ao monopólio de subvertidos como o sr. petróleo, libertem os Leonardos DaVinci e os Einstein das nossas cabeças e submetamos o curso da tirania ao seu devido locci, que com indevido respeito, é debaixo (tipo 7 palmos) de terra!
Pois a relação entre estes dois ilustres está na razão matemática entre a burrice de um e a leviandade do outro! quanto mais ignóbil a atitude neurótica mais insultuosa é a produção petrolífera! E é bom que se diga: a petrolífera não prolifera... bonito ehm?!
eu, porque não sou pessoa para padecer nas raias da inexistência tratei de arranjar algo de substantivo para este adjectivo... a verdade, caros chewies (nome de todos os leitores ávidos por uma boa história... ou será estória?, estou tentada a escrever hestória, bem não sei!), é que a relação entre estes dois paradigmas da sociedade moderna vaticina o fim da existência. E perguntam voçês: mas como é que soubeste isso mestre? bem, não posso responder a essa pergunta, mas dou-vos uma pista: CLARIVIDÊNCIA!
O nosso, até à bem pouco tempo, amigo petróleo entrou numa onda de hostilidades. Recusa-se a reproduzir - mesmo violando as leis do santíssimo sacramento e vaticano - continua a utilizar preservativos nos seus componentes, inviabilizando a criação! e nós esmorecemos com sede e ficamos espectantes com as sucessivas one night stand do gajo! Ora só me resta aferir o que já aferi, é o fim da existência... no oil no spoil, no spoil no fun, no fun buy a gun and eliminate your sad, sad, sad sorrow ass!
Quanto aos famigerados neurónios... é razão para dizer soltem os prisioneiros, sim porque nós só podemos estar encarcerados na burrice. Viver na sombra de um ímpio elemento como o petróleo, pecaminoso, que vive da luxuria... sim, é razão para os neurónios erguerem a honra e clamarem mea culpa, porque nós vivemos subjugados ao monopólio de subvertidos como o sr. petróleo, libertem os Leonardos DaVinci e os Einstein das nossas cabeças e submetamos o curso da tirania ao seu devido locci, que com indevido respeito, é debaixo (tipo 7 palmos) de terra!
Pois a relação entre estes dois ilustres está na razão matemática entre a burrice de um e a leviandade do outro! quanto mais ignóbil a atitude neurótica mais insultuosa é a produção petrolífera! E é bom que se diga: a petrolífera não prolifera... bonito ehm?!
BellaMafia
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Liberdade acima de tudo!
não sei se tenho que me desculpar só por escrever, mas da maneira como o mundo anda hoje nunca se sabe! peço desculpa! peço desculpa por viver num mundo livre, onde a minha liberdade é mais sagrada que qualquer religião ou credo! peço desculpa por achar profundamente medieval revoltas de índole física e agressividade bacoca porque um grupo considerável de pessoas no médio oriente se preocupa mais em servir de chinelos a pés desonestos do que honrarem realmente a sua religião! peço desculpa por não ser muçulmana! peço desculpa por não pregar a Alá e a Mohammed, mas também com os péssimos exemplos que vêm do oriente privo-me com toda a certeza de me associar a essa causa! E eu sei que existem muçulmanos bonzinhos e queridinhos e amorosos, mas sinceramente esses também devem ser responsabilizados por não terem uma voz mais activa na condenação daqueles que deturpam os valores do islamismo. o silêncio deles é consentimento e eu NÃO DESCULPO.
BellaMafia
BellaMafia
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